• DIABETES E CORRIDA

    DIABETES E CORRIDA

    DIABETES E CORRIDA

     

    Veja como se alimentar corretamente antes, durante e depois do treino para garantir todos os efeitos positivos do esporte aos diabéticos

     

    O exercício físico regular é indicado para o controle de todos os tipos de diabetes. Isso porque a atividade física promove uma série de adaptações no organismo que são benéficas aos diabéticos, como a diminuição da resistência à insulina, aumento da captação de glicose pelos músculos, melhora do perfil lipídico (diminuição do LDL e do triglicérides, aumento do HDL) e redução da pressão arterial.

    Estudos recomendam que os portadores da doença pratiquem algum tipo de exercício aeróbico de três a quatro vezes por semana, com duração de 20 a 60 minutos, não devendo ultrapassar a intensidade de 85% do VO2max (volume máximo de oxigênio que o corpo é capaz de utilizar durante uma unidade de tempo). Porém, alguns cuidados em relação à alimentação devem ser tomados para que se aproveite todos os efeitos positivos da atividade física, sem riscos.

    “A aferição dos níveis de glicose sanguínea antes do exercício é primordial, uma vez que é preciso ingerir carboidratos adicionais caso a glicemia esteja <110 mg/dL. Se estiver >250 mg/dL, recomenda-se suspender a atividade”, alerta Patricia Bertolucci, nutricionista da PB Consultoria em Nutrição e palestrante do II Meeting Brasileiro de Nutrição Esportiva.

     

    Antes, durante e depois da corrida
    No pré-treino, é importante a ingestão de alimentos fontes de carboidratos de baixo a médio índices glicêmicos. “O índice glicêmico é responsável pelo tempo que a glicose do alimento leva para ficar disponível na corrente sanguínea. Recomendo o consumo de pães, cereais integrais ou frutas com farelos, que demoram mais tempo para serem digeridos, lançando lentamente a glicose na corrente sanguínea”, diz Patrícia.

    Ela explica que, caso o corredor consuma alimentos de alto índice glicêmico, as chances de ter hipoglicemia é grande, uma vez que a glicose chegará rapidamente ao sangue e, como o exercício ativa a translocação do GLUT 4 (fazendo o papel da insulina), os níveis de glicemia podem abaixar rapidamente, provocando tonturas, dores de cabeça, tremores, entre outros sintomas.

     

    Durante o exercício, as recomendações da American Diabetes Association para a a ingestão de carboidratos são as seguintes: 2 a 3 mg/kg/min de carboidrato para treinamentos leves e 5 a 6 mg/kg/min no caso de atividades extenuantes. “Alguns estudos propõem que o consumo de carboidrato para pacientes com diabetes seja de 15 a 30g a cada 30 minutos em exercícios prolongados”, acrescenta a nutricionista. Quem corre longas distâncias deve ter uma atenção especial, consumindo dosagens extremamente rígidas de carboidratos durante o percurso.

    É importante evitar também a perda de água e eletrólitos durante a atividade física. “A desidratação aumenta a fadiga e pode levar a uma redução de até 3% no peso corporal, o que é perigoso em pacientes diabéticos, por provocar uma pseudo-hiperglicemia e aumentar o risco de fenômenos trombóticos e episódios cardíacos”, explica.

    Após o treino, o consumo de carboidratos volta a ser fundamental, para evitar a hipoglicemia e repor os estoques de glicogênio que foram utilizados durante a atividade. Além desse nutriente, alimentos proteicos são essenciais, uma vez que repõem a massa muscular degradada durante o treino, principalmente se este for uma associação entre exercício aeróbico e de força.

     

     

    Suplementação, pode?


    Atletas diabéticos
    também podem recorrer ao uso de suplementos. As bebidas esportivas, que contenham carboidratos a uma porção de 6% a 8 %, podem ser consumidas normalmente desde que, durante o exercício, a taxa de glicose esteja regulada. “Além de conterem glicose, as bebidas isotônicas também fornecem água e sais minerais. Estudos mostram que a administração de sucos de frutas com um teor de carboidrato acima de 10% pode causar desconforto abdominal, dores, cólicas, náuseas e diarreia, por isso, nesse caso, a utilização do suplemento é mais interessante”, ensina Patrícia. Após a atividade física prolongada, o atleta pode utilizar essas soluções isotônicas para evitar o risco de hiponatremia e reintegrar o peso corporal.

     

    Uma boa aposta para os corredores com diabetes é a utilização de suplementos à base de cromo, que, segundo pesquisas recentes, aumentam a sensibilidade à insulina e diminuem o grau de intolerância à glicose. “Este mineral melhora a eficiência da insulina em indivíduos com elevadas taxas de glicemia. Durante o exercício, o cromo é mobilizado de seus estoques orgânicos para aumentar a captação de glicose sanguínea pela célula muscular”, revela a nutricionista. Quanto à suplementação de proteínas, os estudos são controversos. Por enquanto, é recomendado apenas o consumo de alimentos proteicos naturais, como carne e ovos, após os treinos.

     

    Fonte:  Mariana Gianjoppe/ Wrun

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