• Vitamina D e o Diabetes

    Vitamina D e o Diabetes

     

    Vitamina D e o Diabetes

     

    Recentemente inúmeros artigos publicados tem revelado a associação da vitamina D no controle de várias doenças crônicas, inclusive no diabetes.

     

    A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel produzida pelo nosso corpo através da exposição solar. Muitos estudiosos chamam de hormônio D, pois na nossa pele há vários receptores espalhados por o todo corpo e sua produção está relacionada à ativação da síntese pelos raios ultravioletas do tipo B (UVB).

     

    Com o dia a dia agitado dos grandes centros urbanos, muitas pessoas não têm tempo para se expor ao sol por alguns minutos e, por isso, grande parte da população tem deficiência dessa vitamina, o que futuramente poderá acarretar em doenças ou até mesmo piorar o controle de doenças preexistentes.

     

    Assim, para que ocorra a produção adequada, é necessário todos os dias a exposição direta, ou seja, sem bloqueadores solar ou roupas com proteção ao sol. O horário indicado é pela manhã (até às 10h) ou no final da tarde (a partir das 16h) por 15 minutos (já é o suficiente).

    Apesar de o sol ser responsável por 80 a 90% da vitamina D, a alimentação também contribui, porém em apenas 10%. É importante saber que os alimentos fontes de vitamina D também são ricos em gorduras e, por isso, devem ser consumidos com cautela, como por exemplo: peixes de águas frias (atum, salmão, sardinha), leite, manteiga, queijos, ovos e vísceras (fígado).

    Vale ressaltar que para atingir a quantidade de vitamina D necessária, não adianta apenas a ingestão de alimentos fonte. Por isso, a suplementação é uma opção para reposição e deve ser prescrita por profissionais capacitados como nutricionistas e médicos, para que as quantidades sejam suficientes ao seu corpo.

    Queijos são fonte de vitamina D

    O excesso também traz prejuízos como a hipercalcemia (aumento dos níveis de cálcio no sangue), diarreia, náuseas, vômitos, falta de apetite, sede excessiva, fraqueza, hipertensão arterial, excesso de urina e nervosismo.

    A vitamina D é fundamental para o bom funcionamento do corpo como um todo, age na melhora do sistema imunológico, prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (esclerose múltipla, diabetes, obesidade, hipertensão, câncer, doença celíaca e etc), desenvolvimento e manutenção do tecido ósseo (prevenção de osteoporose), mantém as concentrações de fósforo e cálcio no sangue, estimula a absorção do cálcio, diminui a secreção de paratormônio, estimula a diferenciação celular, influencia na função muscular, regula o processo inflamatório, melhora da saúde reprodutiva. E por fim e não menos importante: atua na secreção da insulina.

     

    Agora vamos conversar mais sobre a relação da vitamina D e o diabetes.


    A deficiência desta vitamina diminui a síntese e liberação de insulina, pois atua na função das células beta pancreáticas e na sua ação periférica, o que sugere a participação da vitamina D no desenvolvimento do diabetes e no controle dessa patologia.

    Estudos sugerem que os ratos com hipovitaminose D são incapazes de secretar a insulina de forma adequada, sendo associado ao aumento da resistência à insulina.

    Diabetes tipo 1 (DM1)
    Um estudo realizado com 253 diabéticos tipo 1 detectou que 70% apresentam níveis reduzidos de vitamina D e cerca de 90% dos indivíduos com pior controle glicêmico apresentam hipovitaminose D. Vários estudos relatam uma forte associação de deficiência de vitamina D em diabéticos e má controle glicêmico e risco elevado para doenças cardiovasculares. A hipovitaminose D em DM1 pode prejudicar a ação periférica da insulina, e isso atrapalha o controle da glicose e predispõe a maior resistência à insulina.

    Recentes evidências sugeriram uma forte associação entre a deficiência de vitamina D e pacientes com DM1. O EURODIAB, o primeiro estudo de caso-controle sobre este tema, mostrou um risco reduzido de desenvolver DM1 quando as crianças são suplementadas durante o primeiro ano de vida. Estudos epidemiológicos têm mostrado que suplementação dietética com vitamina D na infância pode reduzir o risco de desenvolvimento da DM1. O estudo finlandês com acompanhamento de 30 anos evidenciou uma redução significativa da prevalência de DM1 em crianças que receberam suplementação de vitamina D diária.

     


    Diabetes tipo 2 (DM2)
    Em modelos animais, demonstrou‐se que a secreção pancreática de insulina é inibida pela deficiência de vitamina D e que, em humanos, essa deficiência estaria relacionada à intolerância à glicose e ao aparecimento do diabetes tipo 2. Em nível periférico, os metabólitos da vitamina D podem aumentar a sensibilidade insulínica por diversas maneiras, como pelo aumento da expressão de receptores de insulina e pela ativação da transcrição de fatores importantes na homeostase glicêmica, ou ainda de forma indireta via regulação do cálcio, o qual é essencial para os processos intracelulares mediados pela insulina.

    Em estudo realizado com camundongos diabéticos submetidos a suplementação com 3,75mg/kg de peso por dia com vitamina D3 (forma ativa), foi normalizado o número de receptores de insulina com melhora da resposta insulínica para o transporte de glicose em adipócitos. Estes efeitos possivelmente são decorrentes da ativação da transcrição direta do gene receptor de insulina. Joergensen et al. (2010) avaliaram a vitamina D como preditor das causas de mortalidade cardiovascular e risco de progressão para micro ou macroalbuminúria em diabéticos tipo 2.

    Foi verificado que a deficiência grave da vitamina D aumenta o risco de todas as causas de mortalidade cardiovascular, independente da excreção urinária de albumina e dos fatores de risco cardiovascular.

     

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

    BMC Mol Biol, v. 65, n. 1, p. 1-12, 2008.

    DONG J-Y.; ZHANG, W.; CHEN, J. J.; ZHANG, Z-L.; HAN, S. F.; QIN, L-Q. Vitamin D Intake and Risk of Type 1 Diabetes: A Meta-Analysis of Observational Studies.

    JOERGENSEN, C.; GALL, M.A; Schmedes, A.; Tarnow, L.; Parving, H.H; Rossing, P. Vitamin D levels and mortality in type 2 diabetes. Diabetes Care, v. 33, p. 2238-2243, 2010.

     

    FONTE: Site eueabete

    Pablo Silva

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